Já passou mais de um ano desde o fim de Jujutsu Kaisen, e o impacto da morte de Satoru Gojo, um dos personagens mais queridos da série, ainda reverbera entre os fãs. O duelo contra Sukuna marcou a passagem mais controversa da obra e colocou o autor, Gege Akutami, no centro de uma tempestade de críticas. No entanto, mesmo reconhecendo que seu destino era inevitável, Gojo deixou garantias de que a feitiçaria jujutsu teria um futuro mais justo.
É justamente esse futuro que Jujutsu Kaisen Modulo, nova obra derivada, começa a explorar. Embora o spin-off não confirme diretamente que a visão de Gojo se concretizou, o mangá deixa pistas claras de que o sacrifício do feiticeiro abriu novos caminhos para a sociedade jujutsu.
Gojo sempre soube quem eram os verdadeiros vilões
Em um universo repleto de Espíritos Amaldiçoados, assassinos e ameaças sobrenaturais, pode parecer irônico que o maior perigo da história não viesse das maldições, mas sim da própria elite governante da sociedade jujutsu.
Os chamados superiores, ou figurões, mantinham poder absoluto e agiam sob uma lógica inflexível e retrógrada. Conservadores e paranoicos, eram capazes de sacrificar inocentes sempre que se sentiam ameaçados. A missão dos feiticeiros era proteger vidas — mas, para os superiores, essa regra valia apenas quando lhes era conveniente.
O caso de Suguru Geto ilustra esse cenário. A queda do personagem foi consequência direta do isolamento imposto pelos superiores, que deliberadamente separaram sua parceria com Gojo. Ambos eram feiticeiros de Grau Especial e compartilhavam o peso de carregar a responsabilidade de salvar o mundo. A solidão, entretanto, foi fatal para Geto. Sem o equilíbrio proporcionado por Gojo, ele afundou em desespero e perdeu seu propósito, abrindo espaço para o nascimento de um antagonista.
A tragédia de Yu, igualmente, poderia ter sido evitada. Os superiores ocultaram informações cruciais, e essa omissão levou a um evento que mudou o rumo da história. Diante da perda de um aliado, eles ajudaram a criar o monstro que tanto temiam.
Gojo sempre compreendeu essa dinâmica. Para ele, os verdadeiros vilões não eram os Espíritos Amaldiçoados, mas sim os líderes que manipulavam e condenavam jovens feiticeiros, como Yuji Itadori, marcado para morrer desde o início. A tentativa de execução do protagonista, mesmo após salvar vidas, demonstrou a podridão estrutural da instituição.
Jujutsu Kaisen Modulo apresenta um mundo imperfeito, mas mais esperançoso

Chegando ao contexto pós-Sukuna, Jujutsu Kaisen Modulo surge como um reflexo do impacto que Gojo deixou. A obra é curta, não se propõe a reconstruir toda a saga, mas revela mudanças significativas na sociedade jujutsu. Agora, os clãs não possuem mais o mesmo domínio opressor sobre aqueles que nascem sem energia amaldiçoada.
Uma nova era surge, moldada pelo sacrifício de Gojo. Os Domínios Simples tornaram-se mais comuns, demonstrando a evolução natural das técnicas e maior acessibilidade entre novos feiticeiros. O exemplo mais claro aparece quando Cross menciona Yuka e Tsurugi Okkotsu, duas jovens feiticeiras que lutam porque desejam, não por imposição de superiores implacáveis.
Mesmo com conflitos envolvendo Simurianos e novas ameaças, há um clima de esperança, ainda distante da perfeição, mas mais livre das correntes que aprisionavam gerações anteriores.
O legado de Satoru Gojo permanece vivo
Sem o sacrifício de Gojo, a sociedade jujutsu continuaria presa ao domínio dos tiranos. A morte do feiticeiro mais poderoso não apenas mudou o curso da guerra, mas também libertou a estrutura que sufocava a juventude jujutsu. Seu legado é sentido nas entrelinhas de Jujutsu Kaisen Modulo — um mundo que tenta ser melhor, ainda que marcado por cicatrizes profundas.
O spin-off mostra que Gojo não morreu em vão. Sua visão de um futuro menos opressor finalmente encontrou espaço para nascer.













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