A fabricante chinesa de robôs humanoides Unitree Robotics disparou 460% em sua estreia na Bolsa de Xangai nesta quarta-feira (19). Esta forte valorização elevou o valor de mercado da companhia para cerca de US$ 53 bilhões, impulsionando o setor de robótica chinês. A procura pelas ações superou em mais de oito mil vezes a oferta inicial para investidores de varejo.
Crescimento Exponencial e Preços Competitivos
Com sede em Hangzhou, a Unitree se destaca como uma das poucas empresas do setor que opera com lucro. Em 2025, a companhia registrou lucro líquido de 278 milhões de yuans, equivalente a aproximadamente R$ 215 milhões.
A fabricante entregou mais de 5,5 mil robôs humanoides ao mercado no mesmo ano. Seu portfólio inclui modelos bípedes, cães-robôs, braços automatizados e sensores industriais, demonstrando uma diversidade tecnológica.
Um dos pilares do crescimento da Unitree é a oferta de equipamentos com preços altamente competitivos. O modelo humanoide G1, por exemplo, é vendido por US$ 13,5 mil (cerca de R$ 70,4 mil).
Em comparação, fabricantes ocidentais cobram valores significativamente maiores por tecnologias similares. Enquanto os cães-robôs da Unitree custam a partir de US$ 2,7 mil, o modelo Spot da Boston Dynamics é comercializado por cerca de US$ 70 mil.
China Lidera Corrida Global e Desafia EUA
O desempenho robusto da Unitree incentiva outras empresas chinesas de robótica a planejar sua entrada na bolsa de valores. Marcas como Lumos Robotics, Deep Robotics, Leju Robotics e AiMOGA, subsidiária da montadora Chery, avaliam abrir capital em breve.
As remessas globais de robôs humanoides quase quadruplicaram no primeiro semestre de 2026, somando 19,1 mil unidades. O mercado global é liderado por empresas da China, que concentram a maior parte da produção do setor.
As companhias chinesas buscam ampliar o uso de robôs para além das fábricas. As aplicações testadas incluem tarefas de logística, atendimento ao público e auxílio na gestão de trânsito em grandes cidades.
A expansão da tecnologia chinesa também intensificou disputas políticas com os Estados Unidos. Em julho, o governo norte-americano anunciou um plano para proibir robôs humanoides vindos da China, alegando preocupações com segurança nacional.
Aplicações Atuais e Desafios Futuros
Durante a Conferência Mundial de Robôs, realizada em Pequim, fabricantes apresentaram máquinas projetadas para tarefas práticas do cotidiano. As demonstrações incluíram desde modelos que organizam pacotes em centros de logística até equipamentos voltados para atendimento e segurança pública.
A divisão de robótica da montadora Chery, por exemplo, já colocou 110 robôs humanoides em operação em cidades chinesas, segundo informações da Reuters. Essas máquinas auxiliam no controle de tráfego, protegendo agentes humanos de poluição, calor extremo e riscos de acidentes.
Apesar dos testes nas ruas, o uso de robôs em larga escala no comércio e nas indústrias ainda é limitado. Analistas do setor estimam que entre 50% e 70% dos robôs humanoides produzidos em 2026 sejam usados apenas para coletar dados em ambientes de testes, em vez de executar trabalho produtivo para clientes.
Além das limitações atuais, a tecnologia precisa de tempo para evoluir e baratear seus custos de produção. Executivos da indústria avaliam que os robôs humanoides levarão cerca de dez anos para atingir a maturidade técnica necessária para a adoção em massa no mercado global.
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