O embate entre Donald Trump e as grandes empresas de tecnologia ganhou mais um capítulo decisivo. Após anos de batalhas judiciais, o YouTube fechou um acordo milionário com Trump, encerrando oficialmente a disputa aberta desde a suspensão de sua conta em 2021. O desfecho envolve o pagamento de US$ 24,5 milhões (cerca de R$ 130 milhões), consolidando uma sequência de vitórias financeiras do ex-presidente contra gigantes do setor.
O início da disputa: suspensão e acusações de censura
Em janeiro de 2021, o YouTube suspendeu a conta de Trump após a invasão do Capitólio, alegando que seus vídeos poderiam estimular novos episódios de violência. O republicano, por sua vez, acusou a plataforma de censura e perseguição política, iniciando uma batalha judicial que durou mais de dois anos.
A medida se somou às decisões de outras redes sociais que, à época, restringiram a presença digital do ex-presidente. O caso do YouTube, no entanto, arrastou-se por mais tempo, tornando-se um símbolo da tensão entre política e tecnologia nos Estados Unidos.
Google encerra impasse
Com o acordo revelado em setembro de 2025, o YouTube se torna a última grande empresa de tecnologia a resolver pendências judiciais com Trump. A Meta (Facebook e Instagram) havia desembolsado US$ 25 milhões meses antes, enquanto a plataforma X (antigo Twitter) pagou US$ 10 milhões.
Fontes próximas à negociação afirmaram que o Google buscou manter o valor abaixo da Meta, como forma de evitar comparações negativas. Ainda assim, o pagamento reforça a posição de Trump como um adversário capaz de impor custos milionários às big techs.
Dos US$ 24,5 milhões pagos pelo YouTube, a maior parte (US$ 22 milhões) será destinada à organização Trust for the National Mall, responsável pela preservação de monumentos históricos em Washington. O recurso financiará a construção de um salão de baile inspirado em Mar-a-Lago, a luxuosa propriedade de Trump na Flórida, com orçamento estimado em US$ 200 milhões.
Os US$ 2,5 milhões restantes serão divididos entre outros nomes ligados ao processo, incluindo a American Conservative Union e a escritora Naomi Wolf.
O acordo YouTube Trump soma-se a uma série de vitórias recentes do republicano contra empresas de mídia e tecnologia. Desde sua reeleição, Trump já arrecadou mais de US$ 80 milhões em compensações. Entre os casos mais notórios está a ação contra a Paramount Global, que resultou em um pagamento de US$ 16 milhões após declarações feitas por Kamala Harris no programa 60 Minutes.
Segundo seus advogados, John P. Coale e John Q. Kelly, a reeleição foi crucial para acelerar os acordos. Em maio de 2025, executivos do Google, incluindo Sundar Pichai e Sergey Brin, participaram de uma mediação inusitada em Mar-a-Lago, parte dela conduzida em carrinhos de golfe ao lado de Trump e do treinador de futebol americano Nick Saban.
O que dizem os especialistas
Juristas avaliam que as ações de Trump tinham fundamentos frágeis, já que plataformas privadas não são obrigadas a oferecer espaço irrestrito a qualquer usuário. Ainda assim, analistas enxergam lógica no movimento das empresas: pagar para encerrar o caso é mais econômico do que enfrentar longos processos em um cenário político desfavorável.
Mark Graber, professor de direito da Universidade de Maryland, resumiu:
“Se você é a Meta ou o Google, US$ 25 milhões é pouco dinheiro. Vale a pena pagar para se livrar do problema.”
O desfecho ocorre em um momento delicado para o Google. A companhia enfrenta forte pressão do Departamento de Justiça dos EUA, que busca a divisão de seu braço de publicidade após decisão que classificou a empresa como monopólio. Encerrar atritos com Trump representa também uma estratégia para reduzir tensões políticas enquanto lida com desafios regulatórios mais graves.













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